A gripe aviária humana, ou pandemia de influenza, doença emergente, consiste na infecção das vias respiratórias pelo vírus H5N1 oriundo de aves. Esta pode evoluir nas pessoas para quadros graves e eventualmente a morte em curto intervalo de tempo (48/72 horas), em mais da metade dos casos.
A moléstia é considerada uma zoonose, por se tratar de condição animal que ultrapassa a barreira das espécies através do desenvolvimento de cepas resistentes e agressivas, como o ocorrido em 1917 no surto de gripe espanhola que dizimou cerca de 50 milhões de pessoas em todo o planeta. Vale ressaltar que naquela ocasião o vírus causador também era oriundo de aves.
O recente surto mundial iniciou-se em 1997 em Hong Kong, espalhando-se por vários países asiáticos e ceifando a vida de pelo menos 64 pessoas até o momento, com um total de 126 pessoas afetadas na Ásia, a maioria no Vietnã. O referido vírus vem causando mortandade de aves em vários países, como exemplo mais marcante, o caso da Rússia neste ano, cujo fenômeno atingiu 1,5 milhão de aves aquáticas.
A Organização Mundial da Saúde considera atualmente estado de alerta moderado para uma epidemia em seres humanos, caso o vírus em questão desenvolva a capacidade de transmitir-se entre pessoas e continue espalhando-se por vários países, inclusive entre as aves domésticas.
Até o momento todos os casos notificados foram decorrentes de contato com aves.
A prevenção considerada mais eficaz seria uma vacina específica, ainda não disponível no mundo (em fase de processamento). O tratamento depende de uso de medicamentos anti-virais, como o oseltamivir do Laboratório Roche, porém a capacidade de produção atual atenderia apenas uma pequena parcela dos doentes. Além disso, a eficácia do medicamento depende do início precoce da droga, fato nem sempre possível devido a dificuldade do diagnóstico.inicial.
Considera-se importante a vacinação para a forma clássica humana, uma vez que, caso um indivíduo contraia as duas formas simultaneamente, há o risco de mesclagem dos dois vírus e surgimento de uma forma viral ainda mais agressiva.
Dessa forma, a DIRSA programou uma campanha de vacinação para os todos os militares da ativa. Deu-se atenção especial aos aeronavegantes que se deslocam para o exterior, principalmente para a Eurásia. Por essa razão, foram reunidos na Subdiretoria Técnica da DIRSA os médicos-de-esquadrão responsáveis pela saúde daqueles que concorrem às escalas internacionais para a devida orientação técnica e ações educativas junto às equipagens operacionais.
Dentro das medidas necessárias tomadas para bloquearmos a eclosão de casos no meio aeronáutico, inclui-se a emissão, neste mês, de uma Ordem Técnica da DIRSA que orienta o pessoal da saúde nos vários aspectos da moléstia, formas clínicas e diagnóstico precoce, além das práticas de bioproteção, considerando-se o risco elevado de infecção para o profissional de saúde que presta assistência a um eventual portador.
Naturalmente, no plano individual, todos nós devemos estar atentos às medidas preventivas, como evitar o contato com aves, principalmente silvestres, manter as mãos higienizadas após o preparo de alimentos de origem aviária e procurar assistência médica após o surgimento de sintomas gripais progressivos.
O Brasil está na rota das aves migratórias do hemisfério norte neste final de ano, o que eleva substancialmente o risco da entrada do vírus no país, fato que felizmente ainda não se concretizou.
Portanto, cabe a todos nós, estarmos atentos às novas informações e procedimentos que possibilitem uma rigorosa vigilância epidemiológica para melhor enfrentarmos esta ameaça biológica.
18/11/2005 12:56 Ten Cel Med Antonio Augusto Masson SDTSA/DIRSA |